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Mostrando postagens de janeiro, 2023

Poesia em forma de Espiral

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A Poesia a seguir tem uma forma característica, que dá seu nome: "Espiral".  Matematicamente a espiral é um tipo de curva que se afasta ou se aproxima de um polo fixo (ponto central), sendo que este afastamento/aproximação é determinado por alguma equação específica. Há vários tipos de espirais, as quais são determinadas por diferentes leis (equações matemáticas). Aquela apresentada a seguir é denominada de Espiral de Arquimedes. Ela é dada pela equação r = a + bθ.  As distâncias dos braços da espiral é igual 2πb. A forma escolhida para escrever a poesia não é casual, mas relaciona-se ao assunto poetizado, que discorre sobre duas pessoas que estavam distantes, pelo erros de uma delas. O eu-lírico se "abre" com a(o) amada(o) cada vez mais, e mais, até que confessa sua incapacidade em ser quem a outra pessoa espera. Bruno Rodrigues de Oliveira (B. R. De Oliveira)

Conto: Não há nada depois da curva

Após um dia turbulento, repleto de aborrecimentos, falas ásperas e olhares arremessados como lanças na direção da caça que foge apavorada, entrei no carro, puxei a porta com violência ignorando as recomendações dadas aos meus filhos, respirei fundo, espremendo o volante transferindo-lhe boa parte da cólera provada. Enfim, rumei para meu canto de sossego anelando que os sentimentos ignóbeis se deixassem abandonados pelo caminho. Ansiava chegar logo em casa para, pelo menos, enebriar-me do aroma do jantar que estaria esperando-me, se não sobejasse nenhum resquício de outras vontades. Todavia, minha fome verdadeira não poderia ser saciada via boca, porque mais almejava os sorrisos que receberia ao abrir o portão, os abraços e beijos desproporcionais, e ainda, as narrações atropeladas de tudo que acontecera naquela semana que se passou sem minha presença. Aqueles singelos e autênticos gestos eram dotados de poderes curativos de todo tipo de estresse, e eu tinha cada um deles em porção dobr...

Uma inteligência artificial que escreve sonetos

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Recentemente ganhou destaque no mundo todo o lançamento do ChatGTP pela OpenAI. Ele está disponível em quase 100 línguas. Empregando técnicas modernas de aprendizado de máquina e Inteligência Artificial (IA), os algoritmos empregados conseguem iterar no modo muito superior aos chat boots até então desenvolvidos. Muitos tem utilizado esta ferramenta para a escrita de livros, resumos científicos, artigos de notícias e muitas outras aplicações. Mas será que esta  IA  seria capaz de poetizar? Fiz a seguinte solicitação: "Escreva um soneto utilizando palavras cultas. Narre uma história sobre o sol e a lua, falando da dificuldade deles se amarem devido à distância que estão um do outro. Insira o planeta terra como um amante do sol, formando assim um triângulo amoroso." O resultado foi este: Sol e Lua, distantes e belos, Em constante caminho celeste, Eternos namorados, mas também Rivais, em sua luta infinita. A Terra, a amante do Sol, É testemunha de seu amor, Mas também é a causa d...

Hipocrisia religiosa

Jesus no evangelho de Mateus fala sobre hipocrisia. "Mateus 7:3-5:  E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?  Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?  Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." Os versos a seguir traduzem este comportamento hipócrita numa poesia bem humorada, mas que tem como pano de fundo acontecimentos que têm levado muitos a abandonarem sua fé devido a hipocrisia exacerbada vivida em alguma grupos religiosos. Ana Peido Ana Clara, Ana Benta, Ana Vitória, Ana Sofia, Ana Bela, Ana Aurora, Ana Celeste. Ana ... Ana era tudo, tudo que era bom. Tudo que era bom, também era Ana. Mas na missa ela peidou, o seu peido inodoro soou tão angelical... E em plena santa ceia dissolveu-se a comunhão juntamente com seu gás. Ana então rebatizada, pela igreja do Senhor, liquefez-se porta ...

Poesia pra quê?

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Já ouvi comentários de grande poetas como Bruno Tolentino [1] dizendo que "A poesia não serve pra nada", mas após dizer esta frase ele completa que "... ela é uma oportunidade que a pessoa tem... que o espírito tem para se manter a um nível sempre mais elevado". Então esta não é uma utilidade da poesia? De acordo com alguns princípios da Teorias dos Sistemas Dinâmicos (ou Teoria do Caos) todas as coisas se influenciam de algum modo, podendo desencadear eventos inesperados. Se eu estou aqui neste momento único do universo (o qual nunca mais se repetirá em todas as suas circunstâncias) atrás de um computador digitando estas palavras, então deixei de estar em outro lugar, alterando toda a configuração do nosso planeta, ao menos; mudando não só minha vida, mas a vida de muitas outras pessoas que não conheço e jamais conhecerei (possivelmente). Por isso, cada coisa (objeto inanimado ou animado), desde a mais aparentemente insignificante, tem alguma utilidade. Acredito qu...

A dualidade dos entes

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O sol perfura a vidraça da porta do escritório ofuscando minha visão. Eu preciso me esgueirar a todo momento para fugir dessa claridade, já que estou em frente ao computador e não posso, simplesmente, mudar de lugar. Esta mesma luz alimenta as lavouras próximas daqui. Também fornece ao meu corpo certas vitaminas que eu não encontraria, facilmente, nos alimentos. Ela desperta, inspira, fornece o calor necessário para que o planeta não congele, principia um novo começo a cada dia, e também determina o fim do ciclo diário. Esta dualidade da luz solar é indissociável. Não há como evitar seus males, mas podemos nos adaptar, com óculos de sol, por exemplo. Todos os entes existentes possuem alguma dualidade imanente. Não podemos esperar que uma pessoa tenha sempre atitudes consideradas boas. A bondade e a maldade andam de mãos dadas. Os remédios tem efeitos colaterais. Os alimentos, mesmo os mais saudáveis, podem ser indigestos. Por estes motivos precisamos aprender a ver a vida, e vivê-l...

Retomando...

Decidi retomar a escrita em blog. É necessário. Talvez tenha se tornado um meio antiquado e démodé, já que agora as iterações em redes sociais se resumem a tirar fotos e publicá-las, aguardando os elogios que virão nos textos curtos e vazios dos comentários; esperando que as críticas permaneçam presas nas mentes dos críticos... Mas ainda existem, por aí, perdidos nos becos da literatura, amantes da leitura, que adoram passear de mãos dadas com as palavras; que satisfazem-se por deixar a imaginação fluir. Para estes direciono meus esforços. Apesar de ser perceptível que nossa juventude se afasta, cada vez mais, do gosto pela leitura, guardo esperanças que no futuro, talvez próximo, ocorrerá uma ruptura com o tecnicismo, com as tantas tecnologias que já estão a nos sufocar. Ou acontece assim, ou estaremos fadados a internar muitos deles em clínicas para tratarem as ansiedades insuportáveis que essa vida alimentada por redes sociais frívolas (desprovidas de finalidade, avessas à belez...