Uma inteligência artificial que escreve sonetos

Recentemente ganhou destaque no mundo todo o lançamento do ChatGTP pela OpenAI. Ele está disponível em quase 100 línguas. Empregando técnicas modernas de aprendizado de máquina e Inteligência Artificial (IA), os algoritmos empregados conseguem iterar no modo muito superior aos chat boots até então desenvolvidos.

Muitos tem utilizado esta ferramenta para a escrita de livros, resumos científicos, artigos de notícias e muitas outras aplicações. Mas será que esta IA seria capaz de poetizar?

Fiz a seguinte solicitação:

"Escreva um soneto utilizando palavras cultas. Narre uma história sobre o sol e a lua, falando da dificuldade deles se amarem devido à distância que estão um do outro. Insira o planeta terra como um amante do sol, formando assim um triângulo amoroso."

O resultado foi este:

Sol e Lua, distantes e belos,
Em constante caminho celeste,
Eternos namorados, mas também
Rivais, em sua luta infinita.

A Terra, a amante do Sol,
É testemunha de seu amor,
Mas também é a causa do sofrimento
Da Lua, solitária e enciumada.

O Sol brilha forte e quente,
E a Lua reflete sua luz,
Mas nunca se encontram, pois a distância é grande
E o caminho é longo e escuro.

E assim, o amor entre Sol e Lua
É uma história eterna de sofrimento
E desejo, nunca realizado,
E a Terra é o testemunho triste
Daquela paixão proibida e eterna.

Embora o poema tenha sido bem escrito a IA não entendeu que a solicitação era para escrever um soneto. Por isso, acrescentei o comando:

"Preciso que só tenha 14 versos".

O resultado foi o seguinte:

Sol e Lua, distantes e belos,
Em constante caminho celeste,
Eternos namorados, mas também
Rivais, em sua luta infinita.
A Terra, a amante do Sol,
É testemunha de seu amor,
Mas também é a causa do sofrimento
Da Lua, solitária e enciumada.
E assim, o amor entre Sol e Lua
É uma história eterna de sofrimento
E desejo, nunca realizado,
E a Terra é o testemunho triste
Daquela paixão proibida e eterna.

É uma poesia muito simplória, para não dizer chata. Não há nenhum elemento nas entrelinhas. A poesia é apenas o que esta grafado.

Tentando que o resultado fosse mais poético, solicitei "Refaça o soneto, para que seja parecido com aqueles escritos por Fernando Pessoa". 

O resultado foi o seguinte:

No céu, o Sol e a Lua se encontram,
Em constante caminho celeste,
Eternos namorados, mas também
Rivais, em sua luta infinita.

A Terra, a amante do Sol,
É testemunha de seu amor,
Mas também é a causa do sofrimento
Da Lua, solitária e enciumada.

O Sol brilha forte e quente,
E a Lua reflete sua luz,
Mas nunca se encontram, pois a distância é grande
E o caminho é longo e escuro.

E assim, o amor entre Sol e Lua
É uma história eterna de sofrimento
E desejo, nunca realizado,
E a Terra é o testemunho triste
Daquela paixão proibida e eterna.

Notamos que a IA novamente esqueceu a métrica do soneto, incluindo versos adicionais. Ainda assim, o poema é chato, e não tem nenhuma poesia. Não passa de uma combinação adequada de palavras. Não encanta o leitor. Não nos põe a refletir sobre o que foi dito. Enfim, não acrescenta nada. É só um texto.

Ao pergunta a AI "Você foi treinada com poesias de quais poetas?", obtive a resposta: 

Fui treinada com uma variedade de poesias de diferentes poetas de diferentes épocas e culturas. Alguns dos poetas incluem Shakespeare, Milton, Rumi, Neruda, Pessoa, Dickinson, Whitman, entre outros. A minha base de dados também inclui poesias de diversos idiomas, como inglês, espanhol, francês, alemão e outros idiomas. Portanto, estou capacitada para compreender e escrever poesias de diferentes estilos e gêneros.

Ou seja, a falta de poesia nos poemas não é por falta de conhecimento (informação) sobre os trejeitos de cada poeta e poemas dos mais diferentes estilos e épocas.

Então, fica a pergunta: será que alguma IA algum dia será capaz de fazer poesias tal como os poetas que ela emula? Seria a poesia apenas o resultado de combinações corretas de palavras, ou a poesia estaria relacionada a algo transcendental que não é expressado de modo objetivo nos textos poéticos?

Só o tempo nos dirá!

Ilustração. Fonte: https://misti.mit.edu/misti-impact/impact-artificial-intelligence






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