Um poema em quartetos

Apresento a seguir um poema em quartetos, cujas rimas ocorrem nos versos pares de cada estrofe. Os versos são Heterométricos, variando entre Octossílabos, Eneassílabos e Decassílabos, sem considerar apenas a contagem da tônica da última palavra, ou seja, são contadas todas as sílabas poéticas. Nos versos "Escorreguei até o fim encontrar", "Ansiando as asas ouvir bater", "De olhos fechados perdi a morte", "Perdoados todos os meus deslizes" para que seja  Decassílabo é necessário fazer elisão no trecho "até o", "as asas", "De olhos", "todos os", respectivamente. No verso "Cai gracioso pela fundura", a palavra "Cai" é contada como uma sílaba poética apenas.

Nas asas da salvação

Em algum tempo sucumbi
Não sei se tarde ou se cedo
De esperar em mim fracassei
Atuei distante do enredo

Pulei a calma sem pensar
Vacilei com os pés no chão
Um rodopio insano me rendeu
Me arremessando na escuridão

Pelejei para a queda frear
No poço liso e sem fim
Me agarrei fortemente ao nada
Antes de abandonar a mim

Acordei com um beijo suave
Com corda atado pelas mãos
Um elã da voz alada ouvi
Meus deslizes não eram vãos

Escalei vendo sangue escorrer
Havia lá fora tanto a buscar
Tremulando os braços, hesitei
Escorreguei até o fim encontrar

E pendurado por um só nó
Sem mais esforço eu querer
De novo me abandonei a mim
Ansiando as asas ouvir bater

Mas despenquei eternamente
Vendo o ponto de luz sumir
De olhos fechados perdi a morte
Dada a fresca fé que vi surgir

Cai gracioso pela fundura
Enrolado num cobertor de luz
Perdoados todos os meus deslizes
Por tal Amor... que não se traduz

Bruno Rodrigues de Oliveira (B. R. De Oliveira)

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