Decidi retomar a escrita em blog.
É necessário.
Talvez tenha se tornado um meio antiquado e démodé, já que agora as iterações em redes sociais se resumem a tirar fotos e publicá-las, aguardando os elogios que virão nos textos curtos e vazios dos comentários; esperando que as críticas permaneçam presas nas mentes dos críticos...
Mas ainda existem, por aí, perdidos nos becos da literatura, amantes da leitura, que adoram passear de mãos dadas com as palavras; que satisfazem-se por deixar a imaginação fluir.
Para estes direciono meus esforços.
Apesar de ser perceptível que nossa juventude se afasta, cada vez mais, do gosto pela leitura, guardo esperanças que no futuro, talvez próximo, ocorrerá uma ruptura com o tecnicismo, com as tantas tecnologias que já estão a nos sufocar. Ou acontece assim, ou estaremos fadados a internar muitos deles em clínicas para tratarem as ansiedades insuportáveis que essa vida alimentada por redes sociais frívolas (desprovidas de finalidade, avessas à beleza imanente da natureza e transcendendo do divido, à beleza da poesia) causam, simplesmente pelo modo como foram concebidas: uma "rede", mas não de computadores, mas de caça, para nos prender no seu ciclo infindável de informações irrelevantes.
Deixo a seguir um poema, em quartetos, discorrendo sobre assunto relacionado.
navegando sem um barco
em um mar de informação
fico zonzo, perco o marco
tanto que há de “rolação”
tanta coisa a engolir
sem tempo pra mastigar
se nada me escapulir
minha cachola vai engordar
e com o pensamento obeso
eu paro na estagnação
a razão se torna um peso
que esmaga a reflexão
nessa rede eu não descanso
ela foi tecida de atrapalho
com um só dedo eu avanço
mas nunca acaba e só me encalho
enroscado no aparelho
me alivio no omeprazol
vejo o estresse no espelho
e a boca fisgado pelo anzol
e esse povo da internet
não sabe abaixar a cuca
qualquer coisa que dissenti
a ferida do outro cutuca
e na época de eleição então?
parece galo a se esporear
tudo isso pra eleger o patrão
que pra rinha vão eles voltar
e é um tal de fotografar
até peido escapulido
onde é que isso vai parar
se o bom sensu está falido?
tem as “muié” que só rebola
o seu corpo bem forjado
não entendem que a alma assola
seu vazio é revelado
na outra banda o bem formado
esperteza tanta que não cabe
põe o Sócrates num canto de lado
pois só sabe, que tudo sabe
e tem gente que namora
sem nenhum beijinho dar
só conversa a toda hora
trem bom pra não experimentar
e se resolve a conjuntura
logo entende a trapaça
na foto uma formosura
a um palmo é uma desgraça
e tem umas que aproveita
dos “homi” que é solitário
sem a calça a sujeita
ranca tudo do otário
inventaram essa curtida
que pra mim não curti nada
curtir leva tempo na vida
e essa gente, não fica parada
e sobre esse compartilhar
como dar o que não tem?
não estão sabendo arrazoar
porque essa rede os faz refém
todos juntos mas sozinhos
fingindo felicidade
esse barco tem furinhos
e vai afundar com a falsidade
eu prefiro o “palavriar”
de “oiá” no “zói” e na mão pegar
“otrusdia” dia, eles vão voltar
a solidão ninguém pode negar
Bruno Rodrigues de Oliveira (B. R. De Oliveira)
Até a próxima.
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