A dualidade dos entes
O sol perfura a vidraça da porta do escritório ofuscando minha visão. Eu preciso me esgueirar a todo momento para fugir dessa claridade, já que estou em frente ao computador e não posso, simplesmente, mudar de lugar.
Esta mesma luz alimenta as lavouras próximas daqui. Também fornece ao meu corpo certas vitaminas que eu não encontraria, facilmente, nos alimentos. Ela desperta, inspira, fornece o calor necessário para que o planeta não congele, principia um novo começo a cada dia, e também determina o fim do ciclo diário.
Esta dualidade da luz solar é indissociável. Não há como evitar seus males, mas podemos nos adaptar, com óculos de sol, por exemplo.
Todos os entes existentes possuem alguma dualidade imanente. Não podemos esperar que uma pessoa tenha sempre atitudes consideradas boas. A bondade e a maldade andam de mãos dadas. Os remédios tem efeitos colaterais. Os alimentos, mesmo os mais saudáveis, podem ser indigestos.
Por estes motivos precisamos aprender a ver a vida, e vivê-la, em tons de cinza (não precisa ser 50, pode ser mais), porque enxergá-la preto e branco nos trará muitas frustações. Lembre-se que a natureza não é discreta, mas contínua. Encontrar limites nessa continuidade pode ser uma tarefa inexequível.

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