Poesia pra quê?
Já ouvi comentários de grande poetas como Bruno Tolentino [1] dizendo que "A poesia não serve pra nada", mas após dizer esta frase ele completa que "... ela é uma oportunidade que a pessoa tem... que o espírito tem para se manter a um nível sempre mais elevado". Então esta não é uma utilidade da poesia?
De acordo com alguns princípios da Teorias dos Sistemas Dinâmicos (ou Teoria do Caos) todas as coisas se influenciam de algum modo, podendo desencadear eventos inesperados. Se eu estou aqui neste momento único do universo (o qual nunca mais se repetirá em todas as suas circunstâncias) atrás de um computador digitando estas palavras, então deixei de estar em outro lugar, alterando toda a configuração do nosso planeta, ao menos; mudando não só minha vida, mas a vida de muitas outras pessoas que não conheço e jamais conhecerei (possivelmente).
Por isso, cada coisa (objeto inanimado ou animado), desde a mais aparentemente insignificante, tem alguma utilidade. Acredito que os poetas, ao dizerem que a poesia não tem utilidade, estejam se referindo a sua concepção como obra artística. Que, quando eles produzem poesia não estão pensando em um finalidade (utilidade) para ela.
Entretanto, mesmo essa explicação é contraditória, porque se somente assim fosse, as poesias seriam apenas uma combinação de palavras escolhidas cuidadosamente para que seu conjunto soasse agradável a audição, transparecendo algum ritmo dessa concepção gramatical. Mas não é assim, porque sempre há alguma mensagem a ser comunicada, um conteúdo basilar nas entrelinhas (subliminar ou não) que permeia os versos, a melodia e a rítmica. E se há mensagem, então existe pelo menos uma finalidade: comunicar aquela mensagem ao receptor. Se assim não fosse, então porque publicar a poesia? O poeta deveria escrevê-la e jogá-la fora, já que não serve pra nada. Mas ainda assim serviria, porque o simples ato de conceber frases já alterou todo nosso universo, a começar pelo poeta.
Pensando nessas contradições compus os versos:

Comentários
Postar um comentário