A nossa casa de Florbela Espanca - Análise das rimas

O soneto de Florbela Espanca nomeado "A nossa casa" (digitado ao final) apresenta um esquema de versos polirrimos com rimas finais.

Na primeira estrofe temos rimas alternadas ABAB, composta de rima pobre "casa" e "brasa" e rica "vejo" e "desejo";

Na segunda estrofe temos rimas opostas ABBA. Sendo "casa" e "asa" rimas pobres e "invejo" e "beijo" rimas ricas. Estas são do tipo impura.

Também podemos considerar rimas paralelas, em relação a primeira e segunda estrofe, para as palavras "desejo" e "invejo", rimas do tipo consoante suficiente.

Os tercetos apresentam rimas entre os dois primeiros versos, sendo que o terceiro verso do primeiro terceto rima com o terceiro versos do segundo terceto.


A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo

Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos.
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num pais de ilusão que nunca vi...
E que eu moro — tão bom! — dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um soneto de C. S. Lewis

Retomando...

Um poema em quartetos